terça-feira, 11 de novembro de 2014

Em tom menor





Em tom menor subsiste a moléstia.
O sono ataca. A moleza instala-se.
A indolência eterniza-se.
O cansaço, o tédio, a preguiça,
O langor do mundo, já sem dor,
No canto da sala, sem fala, pálido,
Seminu, fastidioso, por vezes rancoroso.
O peso do corpo contra o chão, indefeso,
Reduzido à palma da mão,
Preso ao torpor da alma,
A abater-se para o interior,
Paciente obtuso, lugar confuso,
Voz infundada, obra inacabada,
Desgosto profundo, amor rotundo,
Paz obscura, tudo para o fundo.



P.A.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Outros lugares





Como tantas vezes acontece, por mais que a evolução se apodere dos espaços, transformando-os pelo tempo intruso e descaracterizado, estes resistem pela sua história e significado, porque a maioria de nós ainda vive em lugares, onde pertencemos pela interacção construtiva de afectos, sentimentos, valores, necessidades e sacrifícios. O mercado flutuante é um lugar singular que insiste em mostrar-se aos turistas na sua autenticidade ancestral, quase incólume e impávido face ao progresso massificado, eternamente presente para além de todas as outras lógicas espaciais. O comércio de frutas e vegetais é um modo de vida primordial que desliza pelo torpor caudaloso dos estreitos canais na periferia da cidade, sem pressas ou exaltações, em pequenos barcos repletos, quase todos silenciosos, dirigidos por mulheres concretas de olhar afável e introspectivo, pulverizando a atenção de quem visita o mercado, de uma sedução serena e fascinante, que aumenta o desejo de comprar e provar todos os sucos tropicais, ou mesmo um chapéu que seja, para proteger do sol e da chuva, ingredientes naturais que sempre se encontram para promover a vida.



P.A.

Mercado flutuante








Mercado flutuante II













Mercado flutuante III













terça-feira, 14 de outubro de 2014

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Transição








O exotismo oriental desliza sereno e volátil,
Num tom de pele angélico e olhar interior,
Desenhados no equilíbrio e contenção dos gestos.
A cidade dos anjos expande-se infinitamente
Num frenesim paciente de cores e cheiros,
Que se perdem em ciclos de vida renovados,
Entre a terra e o céu, entre a subtil verdade
Que este mundo é sempre uma procura transitória
De outra verdade plena e eterna.




P.A.