segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Ausência do mundo
Sei que vivi a ausência do mundo
Para chegar a mim,
Exigência de reconhecimento
Sobre uma forma desinteressada
Que me afastou sem fim,
Uma voz insana
Vinda do absurdo consciente,
Entre a presença mundana
E uma natureza evanescente.
Para que serves tu agora
Angustia espalhada pelo peito,
Depósito de pedras arrancadas
Da memória?
Que fazes tu agora sozinho
Neste caminho estreito,
Ponto de partida de uma vida
Irrisória?
Empresta-me um passado,
Outro enredo que não esta
História vulgar.
Recorda-me outro sentido,
Outro lugar, para que não desista
Tão cedo.
Diz-me que não sou eu assim
Um sujeito enviesado
Em confronto com o vazio
Da missão.
Diz-me que sou outro e não eu
Próprio um destroço desta
Alienação.
Assegura-me que o desespero
É o remédio provável
E a morte uma solução
Confortável
P.A.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Abismal
As veias dilaceradas, a boca seca e desapontada,
O silêncio das crateras oculares, o espelho do infinitoSem retorno, ciente num corpo sem descanso e abalado
Pelas imprecisões da existência implacável.
As mãos entrelaçadas numa angustia incandescente,
Vibrante, apunhalada ao encontro do tempo imprudente,
Construído na ironia de contrários, a apelar à totalidade
Das coisas subjugadas ao equilíbrio da morte.
A cabeça vazia pensando espaços etéreos,
Ideias improváveis seladas em círculos obrigatórios,
Magma cerebral a escorrer pela opacidade da matéria
Até às entranhas efusivas da criação.
Sobeja a seiva de um poema sobre a morte,
Amostra de veias dilaceradas, o pulsar do fim,
Amalgama de partículas fieis a uma existência
Ancorada ao fluido de outra passagem temporal,
Ao clamor do universo e um pingo de sangue corrido.
Resta-me fumar o incontornável labirinto da vida,
Esfumar as indefinições da vida num cigarro isolado,
Regressar ao conforto suspenso de um acto sem fundo,
Virar-me em tragos ardentes e roçar a garganta
Até sentir o halo do corpo contra a suposição do tempo.
Não quero, vou aguentar, vou resistir, lutar sozinho
Com a condição única e falível que me obriga a interceptar
O mundo, expondo-me a uma viagem sem regresso na vertigem
Do fumo que se espalha pelo peito aberto das circunstâncias,
Que me levará à dissolução inevitável em partículas nascentes,
Que me levará àquilo que sou, àquilo que não verei
P.A.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
O amor é...
Uma passagem trémula e fingida
Que chega a ser uma pequena verdade
Até se perder na paixão repetida.
O amor é uma fantasia atordoada,
Desconcertante, que falha no tempo
De Outono como a luz desviada,
E perde a viva cor pela voz do vento.
O amor é a contemplação da morte,
O impossível dos vivos e esperançados,
Um estado precário de vidro e corte
Que se esvai em corações abandonados.
O amor é a coroação dos infiéis e enganados,
O topázio que não se hesita em quebrar ao meio
Enquanto se vem a saber que já não são amados,
Porque de promessas têm eles o frigorífico cheio…
P.A.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Para além das palavras
Esgotei as palavras meramente
Ao ouvir-te o interior de excepção,
Ao escutar-te verdadeiramente
E embalar-me na profunda intenção
Do valor da tua voz singular,
Esvaziar-me da minha posição
E atento permanecer sem falar.
Antes do comum significado
De um discurso entendido,
Está a condição do ser dado
E o esforço de ser conhecido
Todas as palavras são residuais,
Imperfeições do eu tangível,
Código cru entre almas desiguais
Em que o teu ser é indizível.
A tua fala é o sentido original
No eixo da existência atendível,
Um poder criador não nominal
Em que o teu ser é indizível
Na pura linguagem permanente
Como todas as formas se sentir
Que a tua voz torna presente.
Uma pausa no momento exacto,
Um silêncio para poder sentir-te,
E se te respondo de imediato
É porque não estou a ouvir-te…
P.A.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
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