sábado, 12 de abril de 2014
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Sinto que devo
Sinto que devo renunciar a todas as coisas adquiridas, como ilusões que se manipulam na sombra do desejo, impacientes, imperfeitas, improváveis dentro de uma razão finita, como uma caminhada difícil, arrancada da ignorância de ser. Devo esquecer o grande desfiladeiro de sofrimento que se esgota a cada passo em que não se existe, em que apenas se desloca lentamente uma ideia errada e enfadonha do mundo, que nunca é o nosso, que nunca se conjuga com a pele e com os olhos da terra, como a natureza irradiada das entranhas da compreensão, até ao limite do vazio plantado na morte. Sinto que o meu lugar ainda virá por outro tempo sem memória, que é uma palavra apagada do texto para se dizer e propagar na distância e atracção dos corpos, um contínuo sussurro entre a melodia do desgosto e arrepios de pequenez, que se abala na génese circundante a propósito de sentir, a convicção que o choro do nascimento é o grito codificado do testemunho eterno, lançado por etapas obscuras no infinito ventre do universo, e que a tudo devo renunciar para a vida se consumar, a sós com o silêncio de um pedaço de seiva bruta a escoar-se no princípio sem causa, até que a morte se esclareça na aliança com Deus.
P.A.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Who are you?
Serás a luz de um barco
No silêncio da noite?Um caminho estreito
Que se perde no escuro
Da razão?
Serás uma árvore declinada
Sobre a água que escorre
Da montanha, invocando
O consolo secreto
De se viver
O momento?
Serás esta estrada
Que me leva ao sabor
De uma noção
Fragmentada?
Uma ideia interposta
Que se anuncia pela
Singular vontade de
Viver sem estar?
Um espírito que resgata
Levemente todas as
Forças para refazer
A essência do real?
Serás tudo em simultâneo
E algo em particular?
A consciência global que
Dá sentido ao efémero
Sentimento deste estado
De coisas?
A imperfeita necessidade
De não estar só a viver
As impressões do mundo?
Mas de as chamar à tua existência
Unida por pontos dispersos e invisíveis?
Quem és tu? Que não conheço
Senão quando mergulho no silêncio
Fantástico da noite e aguardo sem
Esforço que a situação me recorde
O que para sempre ficará de ti…
P.A.
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