terça-feira, 1 de maio de 2012

"Cidade dos mortos"





Vivem cerca de um milhão de pessoas no cemitério do Cairo. A procura de melhores condições de vida na cidade empurrou-as para uma espécie de condomínio privado, como alternativa ao caos e à falta de espaço. Ali vivem numa comunhão terrena, vivos e mortos, onde os mortos adquirem vida e os vivos planeiam e integram a morte, serenamente, sem angústias, num plano único que é aquele que foi concebido pelo Deus misericordioso. A necrópole filmada por Sérgio Tréfaut, mostra-nos a coexistência das duas dimensões humanas, sem medos e atropelos, numa organização que se encerra a si própria como uma necessidade inquestionável. A actividade das escolas, oficinas e padarias do cemitério, desenrola-se numa linha atemporal, plena de significado, perante um fim presente e assumidamente prolongado. Os vivos cuidam dos mortos, protegem as suas casas tumulares, os mortos cuidam dos vivos, concedendo-lhes uma morada eterna.


P.A.

2 comentários:

rute talefe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Sofia disse...

QUERO-TE PARA ALÉM DAS COISAS JUSTAS

Quero-te para além das coisas justas
e dos dias cheios de grandeza.
A dor não tem significado quando me roubam as árvores,
as ágatas, as águas.
O meu sol vem de dentro do teu corpo,
a tua voz respira a minha voz.
De quem são os ídolos, as culpas, as vírgulas
dos beijos? Discuto esta noite
apenas o pudor de preferir-te
entre as coisas vivas.

JOAQUIM PESSOA

Deixo-te um belo poema e um beijo